
“A Dilma tem que deixar o negócio da
Petrobras com a Petrobras. O negócio da corrupção, com o ministro da Justiça e
com a Polícia Federal. A Dilma tem que levantar a cabeça e dizer 'eu ganhei as
eleições'. A Dilma não pode e não deve ficar dando trela. Nós ganhamos as
eleições e parece que estamos com vergonha de ter ganho”, disse.
O ex-presidente discursou por 30 minutos,
sendo interrompido diversas vezes por aplausos da plateia, que lotou o
auditório da ABI, que tem capacidade para 500 pessoas. Lula atribuiu os ataques
à Petrobras devido à mudança no sistema de exploração, que antes era por
concessão, dando maior poder às empresas privadas, e passou para o sistema de
partilha, o que garante uma parcela mínima de 30% para a estatal brasileira
além da operação do campo petrolífero.
“Eu sei o que significou aprovar a Lei da
Partilha. Quando nós descobrimos o pré-sal, logo os americanos inventaram uma
história chamada a Quarta Frota e passaram a ter navios patrulhando o Oceano
Atlântico. Nós sabemos o que significou a Lei da Partilha. Sabemos o que
significou os 30% para a Petrobras. Sabemos o que significou a construção desta
empresa”, destacou ele.
Lula disse ainda que os funcionários da
estatal tinham de ter orgulho de trabalhar na empresa e defendeu a punição
daqueles empregados que tenham cometido erros. “Qual é a vergonha que a gente
pode ter se em uma família de 80 mil trabalhadores alguém fez um erro? O que a
gente faz na família da gente? A gente faz o castigo necessário. O que a gente
não pode e jogar a Petrobras fora, por erro de pessoas.”
Também presente no evento, o líder do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile, foi enfático
em defender a estatal e ressaltou que milhares de trabalhadores do campo estão
dispostos a se levantar pela causa. “Nós marcharemos com vocês para o que der e
vier. Precisamos defender a Petrobras não só porque ela é uma empresa pública,
mas também porque é a zeladora constitucional da maior riqueza natural que o
povo brasileiro ainda tem, que é o petróleo e o gás, para pensar em um projeto
de desenvolvimento nacional.”
Antes do evento, sindicalistas ligados à
Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Federação Única dos Petroleiros
(FUP) entraram em confronto com ativistas que protestavam contra a corrupção na
estatal. A confusão, que provocou o fechamento da Rua Araújo Porto Alegre, em
frente à ABI, só foi
contornada com a chegada de um reforço de policiais militares.
Fonte: Agência Brasil


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