Um relatório preparado por auditores do Núcleo de Engenharia do
Tribunal de Contas do Estado (TCE) sugere que o governo estadual não
homologue o resultado da licitação da Parceria Público Privada do
Saneamento, a PPP da Compesa. O documento aponta sobrepreço de R$ 2,1
bilhões no total da operação, majorando a remuneração do consórcio
vencedor ao longo dos 35 anos de vigência da PPP. O consórcio Grande
Recife, formado pelas empresas Foz Brasil, do grupo Odebrecht, e Limac,
foi anunciado no dia 17 como vencedor da concorrência bilionária, mas o
resultado não foi oficializado com sua publicação no Diário Oficial.
O relatório cita “irregularidade” ao apontar como elevado o
percentual de 8,41% à taxa interna de retorno, que fixa o lucro da
parceira privada com as atividades da Compesa, levando a projeção de
faturamento para R$ 18 bilhões pelos 35 anos de concessão do serviço.
Mas os auditores alegam que esse percentual deveria ficar entre 6% e
6,5%, tomando por base outras PPPs no País, o que reduziria o valor
total da operação para R$ 15,9 bilhões, diminuindo também a margem de
lucro da empresa que entrar no negócio e os riscos ao erário.
Uma vez fixado o valor em R$ 18 bilhões no contrato, caso esta meta
não seja batida, o governo e a Compesa teriam que cobrir a diferença. O
ônus ficaria para os cofres públicos e isso poderia ter um reflexo
direto nas contas de água.
O auditor Adriano Cisneiros, substituto de Loreto durante as férias
dele, que vão até o dia 8, informou nessa quinta-feira que, por
enquanto, não vê necessidade de emitir uma medida cautelar suspendendo a
contratação do consórcio. “Recebi a garantia verbal de Milton Coelho
(secretário de Governo, responsável pela PPP) de que não haverá
assinatura de contrato sem haver um entendimento entre governo e TCE”,
afirmou.
Cisneiros ponderou que o tema é delicado porque não há parâmetros de
outras PPPs sobre o mesmo tema para avaliar se a taxa de retorno é
elevada. “O relatório toma por base PPPs em outras atividades, não em
saneamento, que tem suas singularidades”, disse. Ele também frisou que o
caso está em fase preliminar de análise: ainda devem ser colhidos os
argumentos do governo, da Compesa e das empresas vencedoras da
concorrência para justificar o percentual.
Durante a preparação do relatório, o TCE emitiu ofícios ao
secretário, sugerindo a suspensão do processo. Milton respondeu que não
encarava o caso como irregularidade, mas como “divergências técnicas” a
serem esclarecidas, sem, contudo, mencionar eventual entendimento com o
tribunal.


0 Comentários:
Postar um comentário
Todos Os comentários postados aqui, são de inteira responsabilidade de seus autores, e o Blog do Fábio Virgulino não se responsabiliza pelos comentários aqui postados.