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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Dilma Rousseff chora ao receber o relatório da Comissão Nacional da Verdade

Dilma Rousseff - reprodução internet
A presidenta Dilma Rousseff foi às lágrimas, na manhã desta quarta-feira (10), ao receber no Palácio do Planalto, em Brasília, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade.
A Comissão foi criada por ela no início do governo a fim de investigar os casos de violação aos direitos humanos ocorridos no Brasil durante a ditadura militar.
Segundo a presidente, o relatório da Comissão contribuirá para afastar “fantasmas de um passado doloroso” e também para permitir que os brasileiros conheçam a história do seu país.
“Nós, que acreditamos na verdade, esperamos que esse relatório contribua para que fantasmas de um passado doloroso e triste não possam mais se proteger nas sombras do silêncio e da omissão”, declarou a presidente.
Com a voz embargada, ela lembrou as atrocidades praticadas pelo regime militar (do qual foi uma das vítimas) dizendo que os perseguidos políticos e seus familiares têm o direito de saber o que ocorreu no Brasil durante aquele período.
“Sobretudo merecem a verdade aqueles que perderam familiares e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo, e sempre a cada dia”, disse a presidente sob lágrimas e também aplausos dos presentes.
O relatório final da Comissão faz um relato das atividades desenvolvidas pelo colegiado durante os dois anos e sete meses do seu funcionamento.
Segundo o seu último coordenador, advogado Pedro Dallari, uma das conclusões mais importantes do relatório é que a tortura praticada no Brasil durante o regime militar foi uma “política de estado” e não fatos isolados que teriam sido praticados sem o conhecimento das Forças Armadas.
Dilma Roussef agradeceu e elogiou o trabalho da Comissão e disse que aquele relatório não representa um ponto final nas investigações sobre as violações de direitos humanos ocorridos no tempo da ditadura.
Segundo ela, o estado brasileiro vai se “debruçar” sobre o relatório, “olhar as recomendações e propostas, e tirar as consequências necessárias”.
A presidente citou os trabalhos realizados pelas Comissões Estaduais da Verdade como complementares ao que foi feito pela Comissão Nacional.
E fez um agradecimento especial aos órgãos que colaboraram com as investigações, bem como aos “homens e mulheres livres que relataram a verdade para a comissão”.
Disse ela: “Presto homenagem e manifesto caloroso agradecimento aos familiares dos mortos e desaparecidos, aqueles que com determinação, coragem, generosidade, aceitaram contar suas histórias e histórias de parentes, amigos, companheiros que viveram tempos de dor, morte e sofrimento”.
A presidenta ressaltou o trabalho feito pela Comissão para o reconhecimento do direito à memória – principalmente para as gerações que nasceram após o período militar – e, também, para a reconciliação nacional, com valorização dos pactos e acordos que levaram o país à redemocratização.
“Com a criação desta Comissão, o Brasil demonstrou a importância do conhecimento desse período para não mais deixá-lo se repetir. Conhecer a história é condição imprescindível para construí-la melhor. Conhecer a verdade não significa reagir, não deve ser motivo para ódio. A verdade liberta daquilo que permaneceu oculto”, acrescentou.
O relatório da Comissão, de 4 mil páginas, também está disponível na internet. A Comissão foi criada pela Lei 12.528/2011 e instalada em maio de 2012 para examinar e esclarecer violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988, principalmente no período da ditadura militar (1964-1985).

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